Em 29 de março de 1940, Roberto nasce na praia da Ribeira, Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Cresce junto ao mar e se diverte como as crianças daquela época e lugar, em longos passeios de bicicleta e barco a remo.

Desde muito cedo, manifesta uma inegável vocação para o desenho e foi, então, presenteado pelo pai com uma caixa de tintas e pincéis, o que o incentivou a pintar sua primeira “tela” – uma cachoeira – na rua, bem em frente à sua casa. Roberto, assim, talvez tenha demonstrado que suas pinturas e desenhos jamais estariam retratando o convencional, mas sim seu próprio universo de sonho, fantasia e simbolismo como se confirmaria mais tarde.

Ainda criança, já contribuía com ilustrações para o jornal da Ilha, que publicou “A Barca da Cantareira”, seu primeiro desenho a nanquim. Aos 14 anos, aluno do Colégio São Bento, já demonstrava uma visão crítica e irônica do ambiente à sua volta, quando semanalmente o jornal do Colégio publicava suas caricaturas de alunos e professores.

Aos 20 anos decide abandonar os estudos para dedicar-se exclusivamente aos desenhos. Surgem alguns trabalhos profissionais como rótulos de garrafas e pequenas propagandas, que naquele tempo eram desenhadas a mão, com grande precisão, e que eram encomendadas por um tio, proprietário de uma gráfica. O trabalho se diversificou e apareceram encomendas de capa de discos, de livros, logomarcas e anúncios, que também eram desenhadas à mão.

Paralelamente, entretanto, desenvolvia um trabalho livre de compromissos comerciais, até acumular uma razoável quantidade de desenhos a nanquim de temática fantástica, que em 1962 foram levados por ele ao diretório da Escola Nacional de Belas Artes para uma avaliação, tendo sido concedida a oportunidade de mostrá-los na Galeria Macunaíma, anexa à Escola, dando começo ao relacionamento com o público e com as galerias comerciais, marcando o início de sua longa carreira.

De 1963 a 1965 participa de várias exposições, tornando-se um dos principais integrantes do grupo de jovens pintores que fizeram a revolucionária exposição “Opinião 65”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Junto com Antonio Dias, Carlos Vergara, Rubens Guerchman e outros artistas de vanguarda que se destacavam na época, traz uma nova linguagem visual para as artes plásticas no Brasil.

Em meados de 1966 ganha o cobiçado prêmio de viagem ao exterior no XV Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Faz também uma exposição individual de aquarelas no Museu de Arte Moderna e, além de participar de outras coletivas, começa a mostrar suas gravuras e desenhos no exterior.

Em 1967 fixa residência em Paris, desfrutando o prêmio recebido na IV Bienal de Paris, vivenciando a efervescência política que antecede maio de 1968 na França. Participa de outras exposições no exterior, mas prefere voltar ao seu país dois anos depois, para nele concentrar seus trabalhos e mostrar sua obra.

Em 1969, os questionamentos e inquietações presentes na vanguarda da sua geração, levam-no a procurar respostas no universo místico e começa a estudar Ocultismo e Teosofia. Quando descobre a existência da meditação e a Doutrina Budista interrompe sua produção artística para ajudar a construir o Centro de Meditação da Sociedade Budista do Brasil, com a qual mantém estreita ligação nos próximos quatro anos. Ali, durante os dois primeiros anos, ao invés de pincéis, trabalha com pedras, cimento e tijolos. Nos dois anos seguintes dedica-se somente à meditação e, durante esse período, aceita o cargo de presidente da Sociedade.

As tarefas práticas relativas à liderança do Centro de Meditação não condizem com seu temperamento introvertido e lhe trazem de volta à sua verdadeira vocação. Inicia-se um novo momento em que precisa expressar seus sentimentos e sua visão de mundo através do meio que lhe é familiar: a Arte. Deixa o Centro de Meditação retomando a pintura, que passa a refletir influência da experiência mística, resultando em obras que ele mesmo denominou de “Arte Esotérica”.

Neste período também escreve quatro livros de contos fantásticos. Registra minuciosamente em fichas e cadernos manuscritos e ilustrados estudos de homeopatia, plantas medicinais, cabala, astrologia, leitura das unhas e linhas da mão, alquimia e inúmeras informações sobre medicinas alternativas.

Em 1975, há oito anos sem expor, recomeça sua vida artística expondo e lecionando no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Com o estilo que lhe é próprio, além das características esotéricas, seu trabalho também mostra figuras humanas, cidades, animais e plantas em imagens fantásticas que desnudam o cotidiano com humor e ironia. São várias as técnicas utilizadas: lápis de cor, bico de pena, aquarela, nanquim, óleo, pastel, ecoline, etc.

Em 1982 casa-se com Elizabeth Cabral e juntos fazem muitas viagens a Índia, pátria da espiritualidade, mas seu interesse agora concentra-se na história das civilizações e na arqueologia. Passa a dividir seu tempo entre a vida urbana e o silêncio das montanhas na bela região do Vale das Flores, em Visconde de Mauá, onde constrói um ateliê descortinando a imponente Pedra Selada, na Serra da Mantiqueira. Em suas exposições já não estão mais presentes os símbolos esotéricos.Definitivamente, é o Homem com seus instintos e expectativas, seus desejos e sentimentos que aparece retratado num universo imaginário que extrapola os limites da razão.

E, em 1992, após diversas exposições, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, promove a maior exposição do artista até então, com uma retrospectiva dos últimos 30 anos. Visitada por milhares de pessoas, essa exposição coloca Roberto como uma referência nas artes plásticas do Brasil.

Em 2000, o Instituto Moreira Salles, presente em algumas cidades do país, mostra parte do vasto acervo de desenhos do artista, numa exposição itinerante de dois anos de duração. Também a partir do ano 2000, aos 60 anos portanto, deixa extravasar para as telas um mundo de imagens abstratas que se acumulavam no seu interior desde sempre. O que ele, Roberto, denominaria de “Atípicos”, poderíamos sim considerar como uma nova fase, ou como um complemento à sua obra, um renascimento após a maturidade.



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